CRÔNICA; Orgulho

09:35

Ela acordou com o corpo todo dolorido, olhos ardendo e a cabeça gritando. Brigou com os gatos que tentaram a acordar, seu mundo estava girando. O que ela queria? Ficar na cama como se  não tivesse que sair de lá, sabe, mas ela tinha de  cumprir seus compromissos, afinal seria um grande dia. Veria as amigas e sua amada madrinha.

Mas ela tinha a ressaca.  Seu corpo dolorido só queria dormir, mas seu senso de responsabilidade foi mais forte. E então ela levanta, toma um remédio, quem sabe assim melhore. Pega a calça jeans surrada e uma regatinha rosa,  e foi tomar o banho quente. Eu sei, ela odiava tomar banho de dia, mas, era necessário.

E depois, a cabeça dela ainda latejava. Ela ainda não lembrava bem da noite passada, na sua cabeça, aquela noite era só um borrão. Depois de tentar lembrar, até a cabeça latejar ainda mais, desistiu. Saiu para trabalhar e enfrentar seu dia, que seria longo, muito longo.

Já no trânsito, ela tentava lembrar do porque da bendita ressaca. E como ela era uma teimosa nata, acabou por lembrar. Ela havia lembrado dele, do passado, e naquele dia suas doses de palavras, não há ajudaram em nada, ela estava péssima.

Quando chegou ao seu café,  já foi para dentro do escritório, O seu pessoal nem ligou; ela sempre era mal humorada de manhã. Mas naquele dia tinha a bendita cabeça girando, ressaca.
Ela se dedicou as contas, e aos documentos que tinha que redigir, ou tentara.

Como nada naquele dia  iria fluir, se deu ao luxo de ir embora quando já era 15:00 da tarde, como dona do café, ela tinha certos benefícios. No elevador encontrou alguém segurando um chá. Todavia  não prestou atenção na pessoa que o levava.  Quando o elevador parou de forma brusca, o chá foi derrubado na moça, que vestia uma calça jeans e uma regata rosa, e um salto scarpin.  Naquele momento eles se olharam, ele pedindo desculpas, e ela brigando com ele.

-Você- ela disse.
-Você. - repetiu também surpreso.

Ela o amaldiçoou em segredo, por conta dele ela tinha aquela bendita ressaca. Ela não esbouçou nenhuma outra reação, sua face estava fria, inlegível. Coisa que ela havia praticado durante anos, após  terminar com ele. Jurou a si mesma que jamais cairia em gracejos.

Ele queria encontrar com ela, há tempos, e  quando soube do café no centro da cidade e quem era a dona, viu sua oportunidade, mas ela o tratou friamente. Nem lhe dirigiu outra palavra depois do tão temido você. Nossa como ela estava linda!  Mas já haviam se passado sete anos, ela já deveria ter alguém.

E então quando a porta do elevador  abriu, ela seguiu para o estacionamento e ele para o banheiro. Ambos seguiram suas vidas, e por orgulho não estavam juntos novamente, por orgulho eles eram simples estranhos, quando já foram bem mais que conhecidos.

E assim, a partir daquele dia, eles nunca mais se  viram, nem tiveram notícias um do outro. Ela se dedicou somente ao trabalho, ele também. Não tinham vida social, e muito menos relacionamentos.
Eles vagueavam pela rua, naquele fim de tarde, sem rumo. Quando se colidiram com algo, ela colidiu com um homem com um 1,90 de altura e ele com uma moça baixa, e loira.

-Você.- falaram em conjunto.

Só nos resta esperar que eles deixaram o orgulho de lado depois disso.

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1 comentários

  1. Um reencontro cheio de nostalgia ,apenas quebrado pela barreira do orgulho gélido ,mas será que depois de ler este lindo momento Sara haverá um desfecho diferente numa segunda parte sem o orgulho ,adorei beijinhos

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