Crônica: Regrada

16:01








Aquela garota queria ser tantas coisas quanto pudesse ser. Mas ela ainda era só ela. Com tantos defeitos, e tantos medos. Mas no fundo ela só queria que alguém gostasse dela realmente, não da garota que ela tentava ser.

Ela sabia que tinha que melhorar, e muito. Mas era uma coisa que só ocorreria com o tempo. Ela era tão impaciente. Quando tinha que ser paciente, ela era apessoa mais apressada que existia, achava até que a sua dose do pote de paciência era mínima.

Ela gostava muito de ter tudo sobre controle. Ela apreciava se sentir segura em seu mundo. Não entendia  o que os outros faziam, eles pareciam  tão desregrados, tão incertos do que queriam. Ela não era assim, ela tinha um objetivo, um sonho, muitos na verdade. Ela temia  viver sem seus objetivos. Era o que ela não conseguiria fazer jamais.

Trancada na biblioteca ela lia muito, escrevia muito, estudava muito. E todos diziam que ela deveria ser mais extrovertida, pensar menos e tomar atitudes impulsivas. Mas ela não sabia ser assim, cresceu cercada de responsabilidades e sabendo de coisas incomuns que nem adultos realmente sabiam. Ela já teve conhecimento da morte, ela já havia visto ela chegar perto diversas vezes, talvez, mais de 10.

Como dizia Charles Bukowski ''Não eu não odeio as pessoas, só prefiro quando elas  não estão por perto. ''Essa frase define exatamente o que ela sentia. Ela  não os odiava. Juro. Mas preferia elas longe. Bem longe. Não queria ninguém perto demais, nem longe demais. Um relacionamento amistoso, colegas, talvez. Não queria muitos amigos, os que tinha já estavam  de bom tamanho. Não queria  muitos namorados - não queria nenhum de fato, por hora. - E não queria ninguém perfurando o seu mundo. Eles já estão dentro deles pois fazem parte do seu cotidiano, sim?

Mas seu mundo tem várias camadas. E eles mal penetraram a primeira. No entanto ela sentia que eles tentavam se aproximar, e não deixava. Eles eram loucos imprudentes. Talvez, só talvez, ela era centrada demais, responsável demais. Mas ela era assim, eles eram inconsequentes. Mas ela sabia que um  dia a barreira seria quebrada, e quando ela cansasse de ser tão politicamente correta, ela se arriscaria mais, quem sabe ficar com fulano, ou pular de para-quedas ? De fato ela não sabia, só sentia, só era.

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1 comentários

  1. ÁS vezes o medo de sair do nosso mundo nos deixa distante da realidade ,nos mostra apenas o nosso lado de ver ,precisa-mos de sair do nosso casulo para encontrar novos horizontes que nos deixem ver a vida com outros olhos ,lindo momento ,muitos beijinhos Sara felicidades.

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