Crônica: Olhos tristes

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Naquele dia eu não olhei ninguém nos olhos. Eu não queria conversa, contato, aproximação. Eu não estava bem. Mas não iria demonstrar. Não podia. Não queria. Eu sorri. Não queria dizer que já chorei quando ninguém mais viu, num cantinho isolado, de onde os outros não me veriam, mas eu os via.

Eu chorei silenciosamente, não me importava de sofrer sozinha. Não mais. Eu não conseguira  olhar nos olhos de ninguém naquele dia, eu estava  muito emocionada pra isso, eu não estava confiante naquele dia, eu estava numa fossa grande demais. Eu não queria ouvir aquela pergunta. ''Você está bem?'' e eu responderia: ''Sim, estou.''   Grande mentira. Uma mentira muito, mas muito grande mesmo. Eu deveria responder a verdade, eu não estou bem, há muito não estou. Mas seria difícil demais explicar os motivos de eu não estar bem, mas eles não estariam preparados para ouvir, nunca estão. Eles não se importam. Sua pergunta clichê, é mera cortesia.

Eu via o descaso. Eu me sentava, e eles se retiravam. Todos queriam ajuda em momentos oportunos, e eu ajudava, era mais gentil do que queria ser. Eu era uma farsa. Eles não me conheciam, nunca conheceriam. Porque eles julgariam sem entender, e eu sei disso, porque já julguei.

Me recusava a ficar em uma rodinha, falando coisas idiotas. Eu queria ser mais, eu era mais. Eu precisava ser. Precisava me achar, achar o meu equilíbrio, a minha verdade, tirar o vazio do peito, colocar emoção. Fingir ser feliz, mas vivendo a felicidade mais pura em meu interior. Eu já não ria com tanta facilidade, eu observava; eu via cada mania de cada um deles, eu sabia quem era pelo andar, eu queria conhece-los. Queria saber com quem eu lidava. Eles faziam tudo que eu previra que eles fariam, era obvio demais. Era quase o mesmo processo, a mesma rotina.

Eu me isolei. Conversava de vez em quando, falava uma fala que eu já havia pensado em falar, por pelo menos um minuto. Eu era direta, odiava e ainda odeio gente que não vai ao ponto, que rodeia várias vezes ao redor da mesma mosca- que está presa na teia de aranha.

Eu queria ser sincera. Queria ser eu mesma. Mas não conseguia, eu nunca consegui passar a barreira feita por mim mesma. Como uma pessoa que era muito extrovertida, pode conseguir ser mais introvertida dentro de uma ano? Acho que tenho essa resposta. Eu queria ter meus mistérios, não falar para os quatro cantos do mundo os meus planos. Eles sabiam demais. Durante muito tempo eles sabiam demais. Eu é que não sabia mais de mim mesma. Fui me conhecendo aos pouquinhos, ainda estou nesse processo.


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4 comentários

  1. Boa tarde Sara já estava com saudades dos teus momentos ,sempre preciosa nas tuas palavras que certamente emana toda a delicadeza do teu coração,muito belo ,beijinhos desculpa o atraso .

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  2. Boa tarde Sara já estava com saudades dos teus momentos ,sempre preciosa nas tuas palavras que certamente emana toda a delicadeza do teu coração,muito belo ,beijinhos desculpa o atraso .

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  3. Que blog legal! Continue assim Sara! Não desista de lutar contra a doença, pois nós iremos te apoiar não importa oque acontecer! Beijos! E tenha um bom dia!

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    1. Que bom que gostou! Desistir nunca foi uma opção... hehe beijos e um ótimo dia!

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