Crônica: Bipppp

17:08



Bipppp
Bipppppp
Bipppppppp
Bippppppppppp
Confusão. Vozes.Era o que ela escutava e o tal ''bipppppppp''. Ela não se enganava sabia o que estava acontecendo. Ela estava indo embora. Estava abrindo mão. O choque foi grande demais. Ela não queria acordar.
Sentiu alguém pressionando fortemente seu peito, com algum aparelho. Sentiu alguns fracos choques em seu peito. E então ela viu. Viu a luz... Ela só queria ir embora daquele lugar, aquelas pessoas não conseguiam entender isso?
''Por favor, vamos garota! Lute!"' ela escutava de vez em quando alguém dizer distante, Mas ela não queria ser forte, não queria lutar. Por quem ela lutaria? Não havia ninguém por quem lutar.
Biipppppppppppppppp
Bippppppppppppppppppp
Bipppppppppppppppppppppp
Choques em seu peito eram dados, na tentativa de acorda-la. Ela não queria acordar.
Um grito. Um  grito de dor foi dado. Ela não sabia de quem. Mas sabia que conhecia aquele grito. Foi o grito que escutou quando estava no carro.
Batidas. Gritos. O carro explodindo. Ela estava morrendo. As pessoas não enxergavam isso? De nada aquilo iria adiantar.
Bippppppppppppppppppppppppppp
Bippppppppppppppppppppppppppppp
Bippppppppppppppppppppppppppppppppppp
Seu coração estava falhando. Ela sabia. Então algo despertou dentro dela. Ele. Seu irmãozinho. Onde estava ele? Onde estava seu irmão? O que aconteceu com ele? Ela entrou em uma luta consigo mesma, tentando saber se deveria desistir ou lutar.
Era seu irmão. Ela lutaria.
Bipppppppppppppppp
Bippppppppppppppppppppppppppppppp
Bippppppppppppppppppppppppp
''A frequência cardiaca está aumentando '' escutou dizer. '' Corre, ligue o inalador de ar '' e ''Conecte isso.''
E então  ela sentiu uma pressão em seu peito. Murmurou algo incompreensível, os médicos e enfermeiros suspiram aliviados . Conseguiram salvar uma paciente.
Ela abriu os olhos. Viu o teto branco e as luzes fortes. Fechou os olhos protegendo sua visão. Piscou novamente. Fitou o teto branco. Olhou para a médica ao seu lado que a a olhava com atenção, procurando uma possível lesão.
''Onde está  meu irmão? '' foi o que saiu de sua voz rouca, não perguntaria dos pais, sabia que eles não tiveram chance alguma contra a batida e o fogo no carro. Ela e seu irmão sim.
A médica passou a mão por seu rosto em um gesto maternal. "Ele está bem, querida. Só alguns arranhões, está doido para saber de você''' ela tentou assentir '''Preciso ver ele''' respondeu.
A médica assentiu e se distanciou, saindo do quarto. Pouco tempo depois um menino de doze anos entrou no quarto, agitado. Correu para os braços da irmã mais velha, que debilitada o abraçou como pode. O menino desabou em seus braços. '' Eles morreram! Eu não posso acreditar nisso'' ele murmurava entre soluços. Ela acariciou seus cabelos. Teria que ser forte pelos dois. Não choraria na presença do irmão, faria seu luto particular depois. ''. Eu sei, pequeno. Sei que está difícil  mas vai ficar tudo bem. Eu estou aqui. '' ele fungou e se afastou para olhar a irmã '' Achei que ficaria sozinho,achei que você também iria morrer.'' disse, e então ela soube que havia tomado a decisão mais certa de sua vida. Viveria para o irmão, terminaria o que seus pais começaram.  ''Achou mesmo que se livraria de mim com uma simples batida de carro e um incêndio? Terá que tentar mais que isso rapaz, se quiser se livrar de mim! '' ele riu e voltou ao encontro do peito da garota mais velha. Ela sabia que nada seria fácil, mas ela lutaria com unhas e dentes, e nada a separaria do irmão. Exatamente nada .

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