CRÔNICA: Não

15:00







Olá. Você está aí? Está me escutando? Eu disse não. Você disse que não entendeu o que eu falei. Te peguei de surpresa?! É, foi o que eu disse. Você não quer acreditar. Você está magoado, diria até que com raiva, de mim. É. Eu disse o não. O meu primeiro não. O não para esse amor platônico. Não para todas essas mentiras que você carrega contigo.

Eu já te disse sim. Muitas vezes. E eu acho que é por isso que você está surpreso. Foi a primeira vez que neguei. Neguei que  te amo. Neguei ir há aquele show que planejamos  ir, quando o Ed Sheeran viesse pra nossa cidade. Neguei ir visitar tua priminha de cinco anos. Disse que viajaria sozinha. Que eu não preciso de sua companhia. E hoje eu vejo que  não preciso mesmo.

Me surpreendi com o tanto de vezes que eu queria dizer não e não disse. Por medo. Por esquecer das minhas próprias vontades, dos meus sonhos, da minha vida. Pra viver as suas vontades, os seus sonhos e a sua vida. E caramba, eu estava sendo antagonista da minha própria existência, da minha própria vida. Era pra eu ser o personagem principal, não era? Era.Só que só agora eu sou.

Eu não quero um amor por conveniência.Por acomodação. Por medo de ficar sozinha. Por medo de sofrer. Todos, uma vez na vida já foram prisioneiros de si próprios, de suas dores e de suas verdades. Mas eu estou quebrando as correntes que me aprisionam. Quebre as suas, por favor. Agora.

Você foi a primeira pessoa para qual eu disse um não. E eu me senti bem com isso. É uma sensação libertadora, dizer o que se quer dizer, ir do contra, se essa for sua vontade. Eu vou continuar dizendo não quando me der na telha. Só agora é que eu percebi que  tenho o direito de dizer não. Dizem que quem diz não, ama. Concordo. Quem diz não aos outros, consegue dar um sim a si mesmo. Consegue ser quem é.

Você disse que eu mudei. Não.Não é bem assim. Sinto que essa ânsia de negar, sempre esteve aqui, só que eu a repeli. Guardei bem lá no fundo do meu baú de vontades. Só que o que se está guardado sempre achamos. E um dia enquanto eu estava a faxinar minhas vontades guardadas, eu a encontrei. Encontrei o desejo, a vontade de dizer não. Dizer não aos outros pra dizer a mim mesma um belo e grande sim. Sim as minhas vontades. E só então eu percebi que eu sou uma garota de muitas vontades. Uma garota com muitas vontades reprimidas.

E eu disse sim. Disse sim a mim. E chérie essa é a verdade. Essa sou eu. E se eu te disse não pela primeira vez, se acostume. Eu te amo, mesmo assim. Mas primeiro preciso aprender a me amar. A ser eu mesma sem interferências, sem palpites. Só me deixe negar  o quanto eu precisar negar ao mundo. Quando eu negar algo a mim mesma, é por que eu realmente me conheço. E só, então, talvez eu volte a dizer sim pra mim. Porém, pode ser a sua vez de negar. Negue o quanto quiser. O não também é uma verdade. E verdades precisam ser ditas. Precisam ser sentidas. Negue. Negue o quanto quiser, porque ninguém vai ligar pra isso. Só negue, negue o que você souber no primeiro momento que não merece seu belo e singelo sim. Talvez eu não mereça. Mas nós sabemos que já dissemos sim um pro outro. E, chérie o sim é uma verdade também. Negue o quanto quiser. Eu não o culpo, Eu ainda estou negando.

Tchau. Estou indo embora. Até mais. Volto quando eu cansar de negar. Quando eu cansar dos sins. Quando eu fizer parte da turma do talvez. É  aí que eu volto.


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1 comentários

  1. A verdade Sara sempre prevalece acima de tudo ,adorei ,muitos parabéns beijinhos muitas felicidades

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