CRÔNICA; A maldição da memória infinita

16:21




Ano passado cheguei a conclusão que tenho uma memória boa. Boa de mais.Armazenamento infinito. Lembrar de cada cena, cenas que vivi em minha tenra infância, nos meus reles dois anos.
Acho que pode ser uma espécie de maldição. Lembrar coisas que doem. Que me fazem dar um sorriso tímido e triste para o nada.

Odeio me lembrar com tanta facilidade. E desabar. Você se lembra? Do primeiro dia? Eu não me lembrava. Mas daí tu e teu amigo falaram. E nunca mais esqueci, enquanto você narrava, eu ia lembrando.

Primeiros dias de aula. Meu primeiro contato com crianças da minha idade, com um mundo normal. Não estudávamos na mesma sala, e sim em salas ao lado. Nossos olhares se encontraram, me lembro da profundidade dos teus olhos castanhos, quase pretos. Me lembro de você dar o seu sorriso tímido.

Pouco tempo depois, dias, acho, não me recordo bem o tempo, após me observar com minhas amigas, você e seu amigo se aproximaram, ao fim do lanche, em que era uma das coisas que eu mais adorava, pão integral fatiado, com sardinha e um suco de laranja. Você, com o sorriso mais lindo que me recordo de acordo com os anos, um lindo e tímido sorriso de covinhas. Você me cumprimentou e disse seu nome. Ainda sou capaz de ouvir sua voz.

Anos mais tarde, começamos a estudar na mesma classe. Seu sorriso era tímido e cretino ao mesmo tempo. Seu olhar ainda era profundo. Trabalhos se passaram, conversas infinitas. Visitas a casa um do outro para jogar vídeo game. Um grupo sólido de amigos.

Lembro de quando todos diziam que tu gostava da minha amiga. Lembro das cartinhas escritas.
Lembro que você dormia mais do que um ser humano podia dormir. Que ficava doido para ler meu diário de 2010. Era o único que implicava. Que me deixou algo bom.

Lembro de tudo. Memória infinita.Memória dolorida. Memória boa demais. Passe esse fardo para outras pessoas. Eu não consigo mais lembrar do que aconteceu no final.

Eu ainda tento me curar. Superar isso. Por que foi um romance clichê de uma garota de treze anos pelo melhor amigo.

Só quero que saiba que eu me sinto acabada. Que nunca mais me apaixonei. Que eu me quebrei em míseros e pequenos pedaços como um copo ao cair ao chão. Mas me diga, porque me marcou tanto? Por que levou uma parte de mim junto contigo? Sabia que não há volta? Só quero me cicatrizar. E não isso não passou depois de quase três anos.

Talvez nunca passe. Mas eu queria que passasse. O buraco me parece grande, quase um precipício.
Mas não volte até eu tampa-lo, até todas as feridas se cicatrizarem. E acredite, agradeço por todos os momentos bons que vivi ao teu lado em nossa inocência, porém, eles se acabaram. E agradeço ainda mais por você ter entendido meu silêncio e não ter me procurado mais. Mesmo que eu ainda lhe escreva indiretamente, obrigada. Pelo tudo, e pelo nada.

You Might Also Like

1 comentários

  1. Simplesmente maravilhoso ,palavras cheias de sentires que nos cativam do princípio ao fim ,pois adoro especialmente sempre as parte final ,pois fica sempre um mas no ar ,que nos deixa curiosos imaginado o próximo momento ,muitos beijinhos Sara .

    ResponderExcluir

Olá, o que achou? Comente, juro que respondo assim que possível. Se quiser pode me mandar um email também por:
sarasblog07@gmail.com

Popular Posts

Like us on Facebook

Flickr Images