CRÔNICA: Ônibus

19:16





 Era sexta-feira. O terminal de ônibus lotado. Gente indo e vindo. Gente chegando e outros partindo. Eu estava partindo. Indo pra casa depois de uma manhã cansativa e uma caminhada que sempre me fazia suar. Entrei atenta, tinha sido roubada ali, na semana passada. Não que eu tivesse visto quando e como, nem quem fizera tal ato.

 -Senhor, este ônibus vai para o Iririu?

 Eu sabia que não iria. Era o ônibus que iria para a Dona Francisca, bem mas bem longe de onde o rapaz queria ir. O motorista não pareceu dar uma resposta satisfatória ou agradável. Logo partiu.
Parei o rapaz.

 -O ônibus para o Iririu chega daqui a pouco.- acrescentei - Depois desse.

 -Obrigado.

 Analisei rapidamente o rapaz. Usava farda militar, o rosto simétrico e exalava algo que eu não sabia dizer o que era, realmente. O ônibus chegou um ou dois minutos depois. O rapaz parecia distraído. Me aproximei novamente.

 - Acabou de chegar.

 O rapaz assentiu e agradeceu. Caminhei até o ônibus um pouco na frente, era o mesmo ônibus que eu pegaria. O ônibus não ficou lotado, Mas a maioria dos lugares estava ocupada. Eu permaneci em pé, junto a área para cedeira de rodas, que agora jazia vazia. O rapaz ficou em pé, na porta. A postura rígida, mas parecia distante, cansado.

  Minutos depois, provavelmente quinze chegamos ao terminal. Na hora de descer a porta do ônibus travou, e ao invés de abrir ambas as portas duplas uma emperrou. Nessa altura eu estava ao seu lado. Fiquei indecisa, afinal era a porta que estava do seu lado, me virei e você pareceu perceber minha indagação muda e assentiu.

 Passei por você. O ônibus tinha estacionado longe da calçada, então com cuidado me apoiei no corrimão, e pulei. Em chão firme, me virei para você ainda estático no mesmo lugar, abri um sorriso e soltei:

-Grata!- você, o rapaz sorriu. Me virei e fui ver se o meu ônibus já tinha chegado. Não tinha. Me sentei, minutos depois chegou. Entrei. A esperança de que fosse o mesmo ônibus comoveu minha alma. Mas não era. Vi você entrando no banheiro e saindo logo depois. O meu ônibus saiu em seguida. Deixando-o para trás. Eu nunca mais o veria. Mas tudo bem.

 O que me impressionou mesmo foi a sua educação, a maneira polida e cortês. Havia algo a mais eu sabia. Sua presença exalava confiança, proteção. Foi uma experiência boa. Eu só não tinha certeza, mas algo em mim dizia que eu já o vira, saindo do batalhão após a seleção. Você, se era você, parecia ter sido escolhido.

 Então, de qualquer maneira, foi bom conhece´lo. Seria mesmo a última vez que eu o veria? Não faço ideia, mas tudo bem. Espero que tenha tido um bom fim de semana. Adeus.



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1 comentários

  1. A vida é feita de encontros e desencontros ,uns bons outros maus ,mas a ansiedade de um novo reencontro deixa um formigueiro enorme no nosso coração ,beijinhos Sara ,desejo-te uma semana abençoada junto das pessoas que mais amas ,beijinhos

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